MEIO DA SEMANA NO MEIO DE TUDO E TUDO NO MEIO...
Eu tenho andado um pouco de mal humor, preocupada e cansada.
De manhã é uma luta para levantar; durante o dia uma luta para conciliar trabalho, estudo e o que couber entre um e outro. E a noite é tudo exageradamente mais complicado, curso que está no fim, mil pendências a serem resolvidas, sono quase incontrolável, e por fim, para coroar o dia conturbado, condução lotada, mais que lotada... os dias parecem iguais. Eu queria desligar, preciso desligar, vou me planejar pra fazer isso ao final do curso, que está aí, mas que parece tão longe e me entristece mas não quero falar sobre isso, pelo menos não agora.
Eu queria desligar e queria também romance. Beijos apaixonados na chuva, passeios agradáveis, pequenas surpresas, leveza. Eu sou ligada no 220 eu sei, mas tem horas que eu preciso de um pouco de paz, de tranquilidade, de carinho e cuidado pra me refazer, pra levantar o astral e a estima.
Mas estou numa boa, tocando o barco, andando firme, sonhando alto e realizável, só quis fazer uma pausa para reclamar, e juro que me sinto mais aliviada.
- Postado por: Mala às 17h07
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(Texto escrito depois de ter lido uma crônica de Rubem Alves)
Tropeçar na calçada, cair e ralar os joelhos; sangra um pouco, arde ainda mais, dói. Em casa, lavar e limpar o machucado, fazer um curativo e tomar um analgésico; alguns dias se passam e você nem se lembra mais do machucado e da dor. "Dores-de-coisas se resolvem tecnicamente".
Tudo muda quando temos uma dor-de-idéia. Dor-de-idéia dói muito.
São dores-de-idéia a idéia de pensar que não nasceu para amar, a idéia de que um ente querido vai morrer em seus braços, a idéia de que você vai viver somente até os 35, a idéia de que por diferenças familiares Deus vai lhe mandar para o inferno, a idéia de ser burro por não compreender certos assuntos, a idéia de ser um talento desperdiçado com sonhos utópicos. Tudo isso e muito mais é dor-de-idéia. Dor-de-idéia é terrível: causa insônia, ansiedade, pânico, dores, nervoso.
Sofremos por aquilo que não existe; e se existe é de uma maneira distorcida, uma realidade virtual, ou seja, algo que parece ser mas não é.
Dor-de-idéia não deixa você desligar. Não deixa você apreciar certas simplicidades, como um filme de época por exemplo: os personagens além de lutar maravilhosamente bem, ainda voam entre árvores e telhados e sozinhos matam exércitos de homens geralmente maiores; quem tem dor-de-idéia fica pensando "Isso é mentira, é impossível, é técnica de computação gráfica" e esquece de aproveitar o texto, o contexto, o enredo por si só.
Quem sofre de dor-de-idéia procura por respostas, não por uma ou duas, mas por todas desde as mais fáceis até aquilo que há de mais complexo passando é claro por aquelas que nunca terão respostas e também por aquelas em que as respostas são relativas.
Sempre faltará algo para quem tem dor-de-idéia. Suas fotos sempre estarão incompletas, seu artista preferido num álbum de coletâneas sempre vai deixar uma música especial de fora, o filme é ótimo mas faltou romance, você fez tudo o que podia e ao final pensará que podia ter feito mais.
A dor está sempre ali, uma companhia certas nas horas mais incertas; um tic-tac torturador como uma bomba prestes a explodir, só não se sabe se esta bomba está dentro do peito no lugar do coração, ou dentro da cabeça no lugar do cérebro.
Não sei se já inventaram a cura para essa dor, não sei se alguém tem um remédio para propor alívio, não sei o grau de contágio pra essa doença.
Não sei. E a idéia de não saber me dói, profundamente.
"Sei lá, se o que me deu foi dado Sei lá, se o que me deu já é meu Sei lá, se o que me deu foi dado ou se é seu
Vai saber, se o que me deu , quem sabe? Vai saber, quem souber me salva Vai saber, o que me deu, quem sabe? Vai saber, quem souber me salva..."
- Postado por: Mala às 00h07
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