

Madrugada de quinta para sexta-feira. O relógio marca 3h17m, chove lá fora e aqui dentro faz calor, e eu tenho de agüentar pois minha garganta irrita se ligo o ventilador.
Passei da fase de “estar a flor da pele” estou confusa mesmo, me borrando de medo e um tanto decepcionada comigo e com os outros; agora entendo o por que de amigos e amores ficarem a nossa escolha. Porque escolher é algo íntimo, pessoal, planejado ou não, diferente de situações e relações impostas onde devemos simplesmente aceitar ou ignorar até encontrar forças para seguir o próprio caminho.
Faz um mês que minha tia faleceu. Um mês que acordo pensando em morte e durmo pensando em morte. Um mês que num instante quero desbravar meu mundo e que no outro minuto penso que não adianta nada, melhor sentar e esperar. Um mês que tenho precisado ficar mais perto da minha mãe e um mês que tal necessidade parece incomodar mais do que já incomodou em 20 anos e talvez pela primeira vez isso está me deixando pior do que eu me sinto.
Engraçado que escrevendo agora eu lembrei daquele trecho que diz: “quero me encontrar mas não sei onde estou, vem comigo procurar algum lugar mais calmo, longe dessa confusão e dessa gente que não se respeita, tenho quase certeza que eu não sou daqui” eu não tenho ouvido muito a Legião, prova de que estou tentando não piorar tudo. Porque ando meio angustiada e não sei explicar, e não saber me explicar me deixa transtornada.
A viagem foi maravilhosa, “gostinho de quero mais” melhor ainda se eu pudesse ter acordado às 11h da manhã, mas tudo bem, eu me contento com 99,8% de perfeição.
Meu professor de ADM veio passar as médias de conclusão do primeiro módulo:
- Você se contenta com o conceito “bom”? Ele perguntou.
- Sim. Eu respondi estranhando a pergunta.
- E por que? Ele perguntou novamente.
- Oras porque o “bom” me permite concluir o módulo.
- Este é o seu problema. Ele disse quase indignado. Você poderia chegar ao ótimo, na verdade seu conceito é ótimo, porém você menospreza isso e se contenta com o bom.
Eu não respondi nada, porque não sabia o que dizer. Depois ele me indagou sobre eu estar procurando serviço, aí eu contei a ele da minha paralisia cerebral e ele me disse:
- Sei que conselho é uma merda, mas quero te dizer algumas coisas: ou vá atrás de algo que você realmente goste sem medo, independente das conseqüências ou vá atrás de algo que possibilite num futuro próximo você fazer aquilo que gosta. Você é “ponte” numa série de situações, mas em relação a sua vida você é “muro”.
E eu não respondi nada de novo.
Só que essas merdas (ele mesmo disse isso referindo-se aos conselhos) não me saem da cabeça, como uma série de outras e por isso ao invés de dormir estou escrevendo.
A chuva está aumentando. Minha mãe tossiu pela quarta vez, sinal de que já percebeu que estou acordada e logo virá me dar uma bronca.
Melhor dormir sem essa.