

Quando descobri que o importante é partilhar e compartilhar, percebi que viver a vida de alguém, só nos afasta de nossa real essência. Quantas vezes eu fiz isso? Não há dedos em minhas mãos que possam contar, e no final é sempre a mesma coisa: eu fico vazia, angustiada, me sentindo impotente, quase transtornada, cansada de tantas lamentações. E a minha vida, eu acabo deixando em segundo plano.
“...será que eu falei o que ninguém ouvia, será que eu escutei o que ninguém dizia. Eu não vou me adaptar...”
Estes dias que passaram, foram para mim de grande reflexão. Refleti sobre mim, sobre os outros, sobre as situações, sobre os sentimentos, sobre o que eu quero, sobre o que eu não quero, enfim, sobre uma porção de coisas. E me senti feliz, em paz, como a muito não sentia, desde a minha viagem a Itu no ano passado. Me lembrei de muitas pessoas, momentos e sensações e não sofri, porque a alegria de ter vivido embalou meu coração.
Lembrei de quando eu era criança e junto com meus amigos, quase todos os sábados, abríamos uma melancia e colocávamos amora dentro (amoras colhidas direto do pé) misturávamos tudo e comíamos, era quase um ritual. Saudades do Di (meu primo) e do Danilo.
“...porque o passado me traz uma lembrança do tempo em que eu era criança...”
E da época da escola, onde eu falava mais que a boca, tirava notas consideráveis e quase todos os professores me adoravam, Quase todos rs*. Saudades da Maria Tereza que me ensinou a ler e escrever. Do Ricardo que me fez comprovar a existência da paixonite aluna-professor. Do Valdiney que me ensinou a gostar um pouquinho de matemática. Do Ladenílson, que estimulava a minha busca pelo conhecimento. E da Cris, que me ensinou a ser.
“...és parte ainda que me faz forte, pra ser honesta sou um pouquinho infeliz, mas tudo bem, tudo bem, tudo bem...”
Dos retiros, numa casa perdida em São Roque, onde eu e meus amigos mostrávamos que era possível viver e ser diferente. Da capela que tanto me emociona, que abre sem pedir, as portas do meu coração. Ali eu me sinto próxima de Deus, eu o sinto dentro de mim e me carregando no colo.
“...quando o amor de Deus encontrar lugar no seu coração cansado, por certo entenderás que tu és bem mais que os teus erros do passado; se procurares bem, saberás que tens na fraqueza a tua força e o que te faz cair, pode se tornar o impulso da vitória...”
Essas foram algumas de minhas lembranças. As outras? Bom, as outras prefiro guarda-las no meu coração.
Coisas legais que acontecem quase diariamente comigo e geralmente melhoram o dia e o meu humor:
- O japonês que entra no ônibus e cumprimenta passageiro por passageiro, eu mesma só cochilo depois que ele me dá Bom Dia;
- O pão na chapa que como todos os dias;
- O fato de que quando eu começo a assoviar em minha sala, o meu chefe começa a assoviar a mesma música na sala dele. E quando eu espirro escandalosamente em minha sala, ele toca no meu ramal e diz: “É assim que se faz!”. Porque ele também espirra escandalosamente.
- Poder falar ainda que por poucos minutos com as pessoas que gosto por MSN ou telefone;
- Ir para o curso e ter uma série de novas informações e rir com as 30 mulheres da sala e aprender com suas histórias.
“... queria ter aceitado a vida como ela é, a cada um cabe a alegria e a tristeza que vier...”
Eu escolho a vida, a alegria, a paz de espírito. Não estou virando as costas para os problemas, pelo contrário. Os problemas existem, as dores e as tristezas também, mas se eu não acreditar que posso ser melhor, que posso fazer melhor, que o sol voltará a brilhar, o problema, as dores e as tristezas ficarão ainda maiores. E nós não precisamos de problemas, dores e tristezas maiores do já são.
“... não me entrego sem lutar, tenho ainda um coração, não aprendi a me render, que caia o inimigo então...”
Declaro, é fato: Meus ombros são pequenos demais para carregar o mundo, principalmente o mundo dos outros.
Quem escreve constrói castelos, quem lê passa a habitá-los; eu quis proporcionar um castelo de sonhos, alegrias, poemas e músicas, mas na maioria das vezes, proporciono apenas um castelo de tristezas, e ninguém precisa de tristezas, pelo menos não sempre.
Não estou sendo hipócrita porque sei que as tristezas e as dificuldades fazem parte da vida, assim como a alegria e as conquistas, mas estou cansada das tristezas, hoje pelo menos.
Pois é, estou fechando pra balanço!
Insistir às vezes cansa.