

Segunda-feira, aula de língua portuguesa, última cadeira da fileira da parede.
Terminei os exercícios e enquanto aguardo que todos terminem, escrevo, porque a loucura se faz presente, principalmente em dias que olhamos no espelho e não nos reconhecemos.
Muito prazer meu nome é Otária é assim que eu me sinto.
Ontem, final de domingo, mau humor crescendo junto com a tensão, eu só quis ficar sozinha comigo mesma e mais uma vez fui invadida.
Eu gosto de partilhar a vida dos outros, ajudando no que for preciso, acompanhando por qualquer caminho.
Mas tenho a necessidade real de ficar sozinha, para me equilibrar, entender os sentimentos e sensações com clareza e buscando caminhos alternativos.
Mas ele não entende; sempre acha que há um outro motivo para essa minha necessidade. Parece sempre competir ainda que indiretamente com as pessoas e situações de importância para mim, quando geralmente toda minha atenção é voltada pra ele.
Não me conformo de viver situações como essa.
Eu não preciso de alguém que não confie nos meus sentimentos e se ache secundário em minha vida. Que dispute minha atenção com pessoas e situações opostas. Que se preocupe com o fato de que eu gosto e necessito ficar sozinha, ao invés de preocupar-se com seus problemas, que são reais.
Enfim, não preciso de um Espião. Não quero e não preciso que controlem meu coração.
Escrevi para estancar o sangue, para livrar a garganta da voz que não se pronuncia porque não é compreendida.
Para lembrar que não sou uma marionete e que não vou viver outra vida que não seja a minha.
Eu insisto enquanto acredito... depois já era.
Jaqueta: Desculpe minha fraqueza;
De repente nos sentimos vazios... como se toda alma, toda essência, toda e qualquer coisa se esvaisse de dentro de nós.
Parece que falta o ar e a firmeza nas pernas, o equilíbrio de pensamento e sentimentos.
Hoje estou sangrando mais do que sorrindo, um sangue que queima, que dói, que é abundante.
Insistir?
Já não sei. Não mesmo.